Pelas afirmações recentes do actual presidente da Autarquia, Vagos encontra-se completamente dependente dos dinheiros prometidos pelo QREN - o Quadro de Referência Estratégico Nacional.
- Não há dinheiro para projectos? Vem aí o QREN.
- É preciso fazer investimentos estruturantes? Aguarda-se pelo QREN.
- As freguesias de Vagos necessitam de investimentos básicos para as suas populações? Só com dinheiros do QREN.
A estratégia de desenvolvimento de qualquer Concelho está condenada ao fracasso, a curto/médio prazo, se for baseada no aproveitamento de fundos por si só.
Por isso, Vagos foi condenada a seis anos de inércia e incompetência, e será novamente castigada, pelo menos por mais dois anos. O Sr. Presidente da Autarquia apostou no "cavalo errado", mostrando agora receio pelos sucessivos adiamentos e imposições de dificuldades na atribuição dos fundos do QREN - agora impostos pelo Governo PS
E o Dr. Rui Cruz colocou a fasquia bem alta ao dizer que se demitiria se não conseguisse o seu propósito. Ora, ao fim de seis anos de pura retórica e de autênticas peças de "origami" (arte de dobrar em papel), Vagos nada tem e nenhum rumo terá - dois mandatos "secos" que só alimentaram o aparelho partidário do PSD.
Vagos só se desenvolve se tiver o QREN "disponível", diz este executivo! E sabendo que Portugal nunca aproveitou convenientemente os dinheiros comunitários, traduzindo-se sempre num oportunismo desregrado e na falta de visão estratégica, o futuro prevê o pior.
Porque seria Vagos diferente de outros Concelhos, bem mais necessitados? E porque acreditamos que "desta vez é que é", que desta vez vamos ver os dinheiros comunitários a serem bem aplicados? E quando? Poderá ser só em 2013... ou mesmo nunca.
Recordemos: entre 2000 e 2006, Bruxelas disponibilizou a Portugal cerca de 20,5 mil milhões de euros, no âmbito do Quadro Comunitário de Apoio III. Apesar da taxa de execução ter atingido os 73,6% e do nosso país poder ainda, até ao final de 2008, executar os 5,4 milhões de euros restantes, é consensual a ideia de que o QCA III foi uma oportunidade perdida. Tal como os anteriores.
E o QCA III, agora criticado, foi igualmente preparado por um governo PS, tal como o é este QREN, o que augura o pior.
Até aos dias de hoje, se esbanjaram recursos importantes em reformas ditas estruturais (Saúde, Educação, Administração Pública, Justiça, Economia...), que se sucederam até entrarem em contradição entre si, como acontece actualmente. E foi igualmente com esta imprudência que se esbanjou uma parte significativa dos fundos comunitários.
Este QREN pagará a Ota e o TGV. Há aqui um seguimento: Cada QCA será relembrado pelo maior disparate que financiou: o QCA da Expo, o QCA do Euro 2004 e o QREN da Ota e do TGV. Está certo...
Efectivamente é um fado, esta nossa incompetência para gerir eficazmente os recursos do país e os que recebemos do exterior.
Mas, o que dizer a esta exultação local perante os esperados 21,5 mil milhões de euros do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) para 2007-2013? Resolveremos mesmo os "atrasos" de Vagos acreditando que desta vez os fundos comunitários irão ser bem geridos?
... mas como, se nunca o foram?
Os financiamentos comunitários são um pau de dois gumes. Todos conhecemos projectos empresariais que faliram à custa dessa dependência perniciosa, ao qual acrescem, claro está, inúmeros projectos públicos nunca executados. O QREN está bem emprenhado, especialmente na sua vertente de bondade e caridade perante as autarquias locais, é facto, e temo seriamente pela sua aplicação. É caso para dizer, "muita parra e pouca uva"...
Claro que devemos lutar por estes fundos, por certo os derradeiros, mas apenas em situações onde esse apoio surja como acréscimo.
Repito, a estratégia de desenvolvimento de qualquer Concelho está condenada ao fracasso se for baseada no aproveitamento de fundos por si só.
E se em cima disto colocarmos a muito deficiente utilização dessas verbas então Vagos tornar-se-á num caso muito sério e triste.
Mendonça Ramos
Presidente da Comissão Política Concelhia do CDS de Vagos