"Está na altura de impor uma política de trabalho e verdade e acabar de vez com a política da promessa nunca realizada" "uma oposição de ovelhas dá sempre origem a um executivo de lobos"
- O CDS foi poder em Vagos durante vários anos. Acha possível recuperar a maioria já nas próximas eleições autárquicas?
O nosso objectivo é apresentar uma candidatura que seja uma alternativa séria ao actual executivo.
O próximo embate eleitoral não vai ser fácil para o PSD, nem para o CDS e nós queremos ganhar. Sei que se continuarmos a crescer e completarmos o trabalho que temos vindo a fazer, sabendo que o actual executivo tem perdido a credibilidade e a confiança da população, conseguiremos ganhar e devolver o município à população e restabelecer o indispensável equilíbrio democrático.
- O que é preciso fazer para que isso aconteça?
É preciso união e muito trabalho, assim como determinação e vontade em servir os munícipes. Está na altura de impor uma política de trabalho e verdade e acabar de vez com a política da promessa nunca realizada.
- Quem vai ser o candidato do CDS à Câmara de Vagos em 2009? E à Assembleia Municipal?
Os candidatos serão aprovados depois de escutados os militantes e os elementos das freguesias, trabalho que neste momento estamos a desenvolver. É que a democracia "começa em casa"... e queremos que os candidatos sejam apoiados por todos com o maior consenso possível. Existem vários nomes em cima da mesa e ninguém está excluído. No momento certo serão apresentados os candidatos.
- Quando tomou posse como líder do CDS/Vagos disse que o actual executivo precisa de mais e melhor oposição. Significa que a oposição ao PSD tem sido mal feita?
Quando assumi a liderança desta comissão política alguma imprensa local considerava, até então, que a oposição era "pouco visível". Hoje garantidamente o cenário é bem diferente. É que uma oposição de ovelhas dá sempre origem a um executivo de lobos...
Em apenas um ano invertemos essa tendência, apresentando um trabalho sério e empenhado, contrastando assim com o actual executivo, que apresenta um discurso esquizofrénico, totalmente incoerente, baseado em promessas nunca cumpridas. Basta reler algumas declarações públicas feitas pelo Sr. Presidente da Câmara nestes dois mandatos e sobretudo o seu programa eleitoral de 2001, para nos apercebermos disso.
Além disso, o trabalho de oposição realizado pelo nosso grupo municipal foi sempre exemplar e conta com o total apoio da Comissão Política. Somos hoje uma oposição forte e determinada.
- Câmara é "agência de emprego para muitos militantes do PSD". Por que diz isto?
Porque entendo que uma Câmara Municipal não deve ser o "centro de emprego" de um concelho, nem de nenhum partido político... apenas isso.
O que falta hoje a alguns é coragem para falar... bastará fazer uma análise à familiaridade de muitos dos funcionários e autarcas que ao longo do tempo ocuparam o executivo municipal para chegar a essa conclusão.
- Como avalia o trabalho de Rui Cruz e do PSD na Câmara?
O CDS de Vagos é activamente uma oposição atenta, critico na forma como o actual executivo governa, desmascarando o discurso vazio do PSD local, um executivo perdido em promessas não cumpridas, obras que na verdade não estão lá e que dependem integralmente de fundos comunitários para serem exequíveis. Basicamente tudo está dependente do QREN e a verdade é que apenas uma pequena parte pode vir a ser considerada...
O autismo do actual presidente da câmara coloca-o cada vez mais só, junto com as suas promessas nunca executadas. É um homem agarrado ao vazio.
O actual presidente da câmara em tudo se assemelha a um homem cego, num quarto escuro, à procura de um gato preto... que não está lá.
É hora de dizer basta, oito anos é mais do que tempo e quem não consegue fazer, deve-se retirar. Quem quer fazer arranja meios, quem não consegue arranja desculpas...
- Quais serão as principais propostas que o CDS vai apresentar para o município de Vagos em 2009?
Consideramos que este executivo não irá concluir até ao final do mandato algumas das acções que se tem proposto concluir. Assim, assumiremos com responsabilidade e planeamento das mesmas, a sua execução, não abandonando os compromissos assumidos como o fez este executivo do PSD, nomeadamente, relativamente ao Estádio e à Piscina Municipal.
Daremos especial atenção à criação de riqueza na área industrial, do turismo e da agricultura.
Em termos de investimento, além de respeitar os compromissos assumidos, daremos especial atenção à área da solidariedade social, às obras estruturantes e ao ensino, áreas onde discordamos totalmente com as politicas tida pelo actual executivo.
No entanto esse planeamento objectivo será apresentado em tempo oportuno depois de definido o programa a apresentar ao eleitorado em 2009.
Aproveito para convidar a população a estar atenta às Assembleias Municipais onde temos apresentado propostas diferentes e alternativas às do actual executivo.
- Apesar da rivalidade entre o PSD e o CDS em Vagos, alguma vez equacionou uma coligação autárquica no concelho?
O CDS é a única alternativa de poder em Vagos e tem hoje garantido a sua renovação. Não se perspectivam outros cenários senão esta dicotomia democrática.
Está é na altura de arregaçar as mangas e assumirmos o nosso papel político com determinação e empenho, para bem de todos os munícipes.
- Paulo Portas foi a Vagos inaugurar a nova sede concelhia do partido. Era uma necessidade do CDS?
A sede própria da concelhia de Vagos do CDS-PP era um desejo antigo que esta Comissão Política resolveu, sendo um espaço essencial para exercemos a nossa luta política no concelho, sendo um espaço que servirá todos os nossos autarcas e militantes.
Ao fim de apenas um ano de trabalho, esta comissão politica não poderia estar mais satisfeita.
- o CDS já teve grande implantação no distrito de Aveiro, que foi perdendo com os anos. A que se deveu essa perda de influência do partido?
A perda de influência politica dos partidos é um mal geral. Todos os partidos políticos em Portugal têm grande dificuldade em lidar com a oposição interna, consumindo-se internamente numa atitude autofágica de afastamento e desmobilização.
Muitas pessoas se afastaram da política porque existem indivíduos dentro dos partidos que não sabem trabalhar em equipa, afastando por qualquer meio todos aqueles que o contrapõem. Tornam-se pessoas cujo único sentimento verdadeiro é mesmo a falta de sentimento, ao lado de uma arrogante impertinência e uma desavergonhada arte de mentir, onde a essência da política consiste apenas numa luta heróica pela posse duradoura de uma "mamadeira" para si e para a sua família. Os partidos políticos em Portugal estão cheios de gente desta.
Mas a participação política é um dever do qual não devemos estar alheados. Felizmente no CDS existem pessoas válidas que têm muito para oferecer e o partido do Centro Social Democrático - o CDS - é naturalmente uma alternativa credível e precisa apenas de mais tempo para se renovar plenamente.
- Que balanço faz do mandato de Raul Almeida como líder distrital do CDS?
Tenho muito pouco tempo de trabalho com esta distrital recentemente eleita. Espero do Presidente da Distrital o máximo empenho para que Vagos torne a ser um concelho do CDS-PP.
De qualquer forma, os "balanços" e as críticas devem-se fazer "em sede própria"... e na altura certa.
- Como olha para os recentes acontecimento no CDS? Acha que o CDS é um partido em crise?
Alguém pensa mesmo que o CDS ao ser recentemente considerado "o partido que mais produziu na Assembleia da República" está em crise?
Em crise está um País onde todos falam em direito ao trabalho e se esquecem que mais importante é o "dever do trabalho"; Em crise estão o PS e o PSD porque nunca conseguiram governar satisfatoriamente o País; Em crise estão os portugueses que perdem cada vez mais o poder de compra sem conseguirem alternativas para auferirem maiores rendimentos, perseguidos por uma máquina fiscal que limita progressivamente a produtividade das famílias; Em crise estaremos todos nós se permitirmos que se entregue lentamente o poder aos comunistas, duas décadas depois da queda do muro de Berlim...